“Isto te foi mostrado para que soubesses que o Senhor é Deus e que não existe outro além dele. Ele te fez ouvir sua voz do céu, para te instruir, e te mostrou seu grande fogo sobre a terra, e do meio do qual ouviste a suas palavras.” (Deuteronômio 4: 35-36)

Mudar não é uma tarefa fácil. E torna-se mais complicada quando essa mudança está relacionada ao que esteve implícito em nós durante muito tempo, ao que parece fluir de uma maneira muito natural, quase imperceptível. Por muito tempo fui movida pela racionalidade, pela análise natural de questões, uma averiguação de situações baseada sempre na lógica que eu possuía. Contudo, entendi que era necessário renunciar a essa vida e desfrutar da total dependência no Senhor.

Meditando sobre a dependência de Deus, entendi que ela não deveria ser parcial. Muitas vezes, pedimos direção ao Pai sobre muitas situações, mas sobre outras, não O consultamos ou ignoramos Seu conselho, apenas porque não queremos ouvir o que Ele tem a nos dizer. É mais cômodo em muitos momentos não perguntar, do que fingir não escutar, como também a sensação de culpa parece menor quando omitimos do que quando mentimos. Quando, na verdade, ambos os caminhos são errados e nenhum dos dois nos levará a profunda comunhão com Ele, nem a total dependência.

A dependência implica em confiança. Deus tem ministrado sobre minha vida pesadamente a palavra confiança. “Você precisa confiar minha filha!”. Por que tenho ouvido tanto a mesma frase? Porque não tenho confiado como deveria, ou seja, não tenho fechado meus olhos e deixado que Ele me conduza. Passo a passo tenho aprendido algumas questões importantes que Ele tem me mostrado, e a principal é que “Somente aqueles que O conhecem podem confiar Nele totalmente.” Eis o caminho… Eis a direção.

Esse é um tempo de mudanças. A revelação para esse ano de 2010 é que, esse, seria o ano das maravilhas do Senhor. Quando o denominamos como Deus Maravilhoso, O estamos definindo como Deus transformador.  E o que mais é latente que precisa ser mudado em cada um de nós, na Igreja do Senhor, é o relacionamento com Deus. Infelizmente, vivi durante muito tempo sem desfrutar disso. Hoje, o despertar que me ocorreu foi tão intenso que não me satisfaço mais de experiências passadas, nem mesmo as que ocorreram ontem. Quero mais! Porque sei que há muito para conhecer Dele. É necessário correr atrás do tempo perdido.

É preciso buscá-Lo! Ele almeja por um relacionamento profundo conosco! E como nós temos retribuído a isso? Temos colocado verdadeiramente um sorriso na face do Pai? Ou temos constantemente desagradado o coração Dele? A confiança não é uma palavra solta; é a revelação de uma das bases de um relacionamento íntimo. E existe uma linha contínua para chegarmos a ela: começa pela busca, a busca simples e pura por conhecer o Pai. Quando Deus é o centro das nossas vidas, o centro da nossa adoração, a revelação de quem verdadeiramente Ele é só aumenta em nós e não há como se sentir inseguro, ou desconfiado, porque em nós não há somente o conhecimento daquilo que Ele pode fazer, mas daquilo que Ele é!

Há alguns dias atrás, estava em casa, quando fui surpreendida pela visita de um amigo. Não entendi, porque havia conversado pouco tempo antes com ele pela internet, e esse me dissera que estava estranho e que não queria conversar com ninguém. Pois bem, ele me disse que o ônibus parou exatamente em frente a minha rua e que o motorista, por sua vez disse que não poderia parar no ponto que meu amigo sinalizara para descer. Bom, ele entendeu que havia um direcionamento de Deus, mas não sabia bem o que era.

Ainda com traços de surpresa no meu rosto, tomei banho e fui à sua casa, conhecê-la. Conversamos, assistimos o DVD que mostrava danças proféticas e que possuía um extra sobre missões. Nossa! Como fui impactada! Deus produzindo em mim um amor maior pelos perdidos! Em meio a nossa comunhão ali estabelecida, ele me diz: “Estou sentindo da gente ir à casa de alguém!” Fiquei meio assustada, mas na hora um casal veio no meu coração, logo depois ele sugeriu que fossemos até lá. Era uma confirmação. Eu não tinha a mínima idéia do que Deus ia fazer, mas estava tão somente confiando.

Quando chegamos até a casa, percebi que nenhum deles entendeu coisa alguma. Sentamo-nos e falamos sobre diversos assuntos, todos muito importantes, senti que Deus estava direcionando toda a nossa conversa. Compartilhamos experiências negativas e positivas com homens e experiências com Deus. Foi muito prazeroso estar ali em comunhão com eles. Mas era necessário ir embora. Já era tarde. Entretanto, todos nós reconhecíamos a necessidade de orar para consumar aquele momento. “Vocês não vão sair daqui sem orar”, disse nossa amiga. Mas nem sonhávamos sobre o que estava para acontecer.

Começamos a orar e a presença de Deus inundou aquele lugar. O Espírito Santo falou muito profundamente a cada um de nós. Ministramos profeticamente uns sobre os outros e deixamos Deus falar, nos tomar em seus braços e revelar Seus sonhos a nós. Foi lindo. Cadeias caiaram por terra, rompemos em Deus, num nível que ainda não fomos capazes de dimensionar, mas conseguimos reconhecer que algo único aconteceu ali. Naquele dia, Deus me deu detalhes.

Deus sempre testifica, confirma aquilo que me diz. Tenho O buscado, mas minha ênfase não tem sido receber respostas Suas, eu só quero recebê-Lo, só isso! Entretanto, nesse dia, Deus resolveu me presentear revelando detalhes de alguns de Seus sonhos pra mim. Além de ter confirmado muitas das palavras que já tinha me dado anteriormente. Sinto-me mimada pelo Pai! Embora nunca tivesse orado a respeito, uma pergunta povoava meus pensamentos, uma dúvida, algo que queria saber, embora estivesse no caminho “descansar em Deus”. Eu optara por andar no absurdo, porque sabia que esse era o direcionamento de Deus, mas sempre me fazia a mesma pergunta. Pois bem, naquele dia, Ele trouxe a resposta, e eu entendi! Tudo fez um profundo sentido à situação. Ela deixou de parecer absurdo para ser coisa de Deus mesmo.

Voltei em êxtase para casa. Como Deus era bom! Como era maravilhoso confiar e obedecer a sua voz, ainda que parecesse loucura! Nosso entendimento não alcança a sabedoria de Deus. “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem vossos caminhos, meus caminhos, diz o Senhor.” (Isaías 55:8).

Os dias que precederam essa experiência foram marcados por confirmações na palavra de Deus acerca do que o Espírito Santo havia dito, e por mais experiências. Sei que existe um longo caminho a ser percorrido. Sei, ainda, vou continuar tentando racionalizar as situações da minha vida, esse é o grito da minha carne, que precisa ser mortificada todos os dias, em todos os momentos. Tenho entendido que em determinadas situações, Deus deixa grandes pontos de interrogação para aumentar minha fé. É difícil absorver o que vou dizer, mas, muitas vezes, quando o Pai não responde às nossas perguntas, está havendo a crucificação da nossa vida na carne.

Caminhar dependendo de alguém é um desafio. Entretanto, torna-se uma angústia àquele que confia ainda nas suas próprias forças, que se coloca como juiz de sua própria vida, para aquele que continua achando que, sozinho, pode fazer melhor, com mais eficiência. É preciso mudar, para caminhar em dependência. Se não houver mudanças, continuaremos lutando com Ele e não sairemos do lugar! Deus no levará a prosseguir, mas nossa mente nos levará num caminho de retrocesso. Não fomos chamados para isso! Cessou o tempo de duelar com o Senhor! Chegou o tempo de sermos conhecidos como aqueles que se deixaram conduzir pela correnteza de Deus.

“Deus havia dado Seu coração a Davi, porque Davi já havia dado todo seu coração a Deus. Ele desejava tanto o coração de Deus que queria despojar-se do seu próprio coração.” (Beijando a Face de Deus- Sam Hinn)

Um começo de ano diferente. Esse era o desejo do meu coração. Entretanto estava eu caminhando outra vez para o culto da virada no dia 31. Desde que me converti começo todos os anos na igreja, mais especificamente com um cálice de vinho entre os dedos, engatilhado, a fim de trocá-lo com algumas pessoas amigas e dizer-lhes palavras estimulantes, desejar-lhes coisas boas. No meu entendimento, essa cena se desenharia novamente na minha vida.
O ano de 2009 foi especial, extremamente especial para mim. Tive muitas decepções, surpresas desagradáveis, desafios que não fui capaz de superar, desilusões; mas foi o ano que mais me acheguei a Deus. Vivi com o Pai em um pequeno espaço de tempo, o que não conseguira viver em anos. Promessas começaram a se cumprir e em mim brotara um desejo ardente por fazer aquilo para o qual Ele estava me chamando. Também foi um ano de descobertas! O Senhor descortinou sonhos que planejara pra mim, especificando, detalhando. Posso afirmar que foi o melhor ano da minha vida! Por tudo isso, eu achava necessário terminá-lo de uma forma diferente e mais, começar o ano de 2010 de uma maneira mais peculiar ainda, pois sabia que ele seria muito melhor do que o de 2009.
O culto começou e pude sentir a presença de Deus, um mover lindo do Espírito Santo. Fiquei tão envolvida com o que estava acontecendo que não percebi quando faltavam apenas alguns minutos para a virada. Meu pastor, totalmente direcionado pelo Espírito, nos convocou a fazer uma oração de agradecimento a Deus por 2009 e que terminássemos o ano assim. Comecei a chorar, Deus havia contemplado meu desejo.
Joguei-me no chão de joelhos. Eu agradecia a Deus desesperadamente. Só eu sabia tudo o que tinha vivido; só eu sabia como Ele me sustentara. Depois de tentar exprimir agradecimentos ao Senhor, fui tomada por balbucios; não havia mais controle sobre minhas palavras. Na minha mente, acontecimentos de 2009 passeavam; mas não era capaz de dizer nitidamente coisa alguma. O Espírito Santo orava por mim com liberdade. Em meio a isso, ouvi barulho de fogos e gritos esfuziantes. Todavia, não era capaz de me colocar de pé.
Em meu coração um apego pelo ano que acabara de passar existia. Momentos maravilhosos que vivi na presença de Deus permeavam meus pensamentos. Minhas lágrimas tornaram-se mais intensas, quando consegui dizer ao Senhor: Pai, eu me desprendo do ano que passou, porque sei que o Senhor continuará comigo e porque sei que esse ano será muito melhor, sei que experimentarei muito mais de Ti.
Levantei-me com dificuldade. Existia algo diferente em mim. Havia no meu coração uma afirmação de discursos que fizera nos últimos dias. Aquele momento denotara entrega, mas especificamente a oferta da minha vida ao Senhor! Era a teoria construída e ruminada aplicando-se a prática. Eu havia escolhido me entregar e estava consumando o ato ao dar os primeiros segundos e minutos do novo ano a Ele.
Quando abri meus olhos, vi pessoas se abraçando, comemorando umas com as outras o novo que estava chegando. Sem pestanejar, ignorei tudo a minha volta e ergui minhas mãos aos céus: Eu queria abraçá-Lo, apenas abraçá-Lo primeiro, mostrando que eu estava totalmente entregue a Ele, totalmente. De todos que eu prezava e amava, só existia um anseio no meu coração: Eu quero Você, Jesus! Quero estar Contigo! Somente Contigo! Em seguida, uma amiga veio a mim, e me agarrou; ela estava tomada pelo Espírito Santo, tomada mesmo. Senti-a me abraçando forte e entendi: O Senhor estava retribuindo meu abraço! Não segurei mais e me deixei levar por um choro compulsivo, enquanto o Espírito ministrava através dela palavras proféticas sobre minha vida.
Posso afirmar de maneira muito categórica: foi a melhor virada de ano que já vivi em meus 24 anos de vida. Nunca vou esquecer o que aconteceu! Como Deus mostrou seu profundo cuidado e atenção comigo e mais, como Ele contemplou um pequeno desejo do meu coração por mudanças. Mas o principal, como Ele recebeu a minha entrega, a oferta de mim mesma a Ele.

“Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.” Salmos 126:6

27 de Dezembro de 2009. Mais uma palavra que o Senhor liberou sobre minha vida se cumpre! Há quase dois anos atrás, Deus em sua infinita sabedoria e seu profundo cuidado permitiu que algo muito triste acontecesse. Desde meados de 2004, faço parte do Ministério de Artes do Projeto Vida Nova, sim, eu ministro através do teatro. No início de 2005, fui escalada para ministrar a peça “Quatro suicidas diante da morte” e a partir de então me coloquei disponível ao Senhor e ministrei em diferentes momentos e com certa regularidade. Percorri comunidades, igrejas, escolas, chegando por fim, a pregar através da arte em um presídio feminino.

Muitas foram às experiências que tive com Deus atuando. Ele permitiu que eu visse, percebesse detalhes do seu amor, do seu perdão, da sua graça! Entretanto, meu relacionamento com Deus era superficial. Você pode me perguntar: como isso era possível? Se Ele se revelava a você de forma específica e ainda te usava de maneira tão especial? Existia o entendimento, eu vivia uma vida de acordo com o que sabia que Ele queria que eu vivesse… Mas não havia um real relacionamento. Minha vida com Deus refletia a hierarquia que assimilei como sendo um sonho gerado no coração do Pai.

Como já disse num outro texto, não havia entrega. O Ministério de Artes era extremamente importante pra mim, porque era uma das poucas oportunidades que sentia a dependência que tinha em Deus, que vivia a entrega e que percebia que Ele realmente tinha escolhido nos amar. Contudo, em meio à impulsividade e falta de entendimento terminei por colocar isso em lugar indevido na minha vida. Eu não era capaz de enxergar aquilo que Deus tinha sonhado pra mim, porque limitava os planos de Deus ao que estava vivendo e aprendendo naquele momento, que era pregar através da atuação, por meio do teatro. Meus olhos não conseguiam contemplar o todo, viam o ponto em uma dimensão muito maior daquela que ele realmente tinha. Eu estava cega! Era uma muleta espiritual. Mas Deus queria que eu caminhasse sozinha, seguindo apenas Sua direção.

Agosto de 2008. Deus começa a recolher minhas muletas. Situações estranhas acontecem em diferentes áreas da minha vida. Tudo que era importante pra mim estava sendo tirado, minado ou pior, destruído. Referenciais, modelos, desmontaram-se diante de mim. Era o lado negro de muitas histórias sendo desmascarado, revelado, vindo à tona a mim da pior maneira possível.

Foram dias difíceis, muito difíceis! Eu sabia que a mão de Deus estava sobre mim e que Ele estava comigo, mas eu não tinha mais forças. Muitas foram as vezes que rasguei minha alma diante de Deus e esfreguei sobre meu próprio rosto minhas fraquezas, e maiores debilidades. Eu chegara ao meu deserto e a uma distância bem considerável do conforto da vida. Mas eu sabia que Ele era o meu Deus! Eu sabia.

Nessa época, o Ministério de Artes foi uma muleta, um ponto de apoio que o Senhor me tirou. As ministrações cessaram. E as lágrimas começaram.  Os gemidos, por sua vez, se intensificaram. Palavras, sentenças malditas. Desfrutar disso no deserto em que vivia só aumentou a intensidade da minha dependência em Deus. Ele tinha caminhos criativos pra me fazer entender! Sua criatividade aproveitava minhas escolhas para mostrar Seu amor.

Em dois momentos diferentes estive convicta da decisão que deveria tomar: eu iria sair! Estava cansada. Não acreditava mais! Tudo ao meu redor era desfavorável e eu me sentia como alguém que não pára de gritar e é rapidamente taxado como louco. Mas Deus não permitiu! Ele tinha uma promessa pra mim: a restituição estava por vim. Diante de tudo que vivia, a palavra de Deus era realmente impossível… Mas Ele é Aquele que traz à existência aquilo que é impossível aos nossos olhos!

Em meio ao deserto comecei a conhecer Deus. Sim, porque o conhecer real é o prosseguir em conhecer! Não se conhece realmente alguém o encontrando algumas vezes e gastando algum tempo com sua presença. O relacionamento se dá através da convivência constante e contínua. E o mais lindo de tudo isso: quanto mais buscamos ao Senhor, mais Ele se mostra, se revela! Quanto mais inclinamos nossas cabeças ao Seu coração, com mais intensidade o ouvimos bater, porque é isso que Ele quer: relacionamento conosco.

Depois do deserto, veio a solidão. Nunca deixei de estar rodeada por pessoas, por amigos, mas a solidão era presente. Nem todos entendiam meus anseios, os sonhos que o Senhor me dava, o que o Espírito me revelava. Estava me adaptando a caminhar sem apoios. Estava começando a caminhar sozinha confiando apenas na Sua mão que me direcionava. Enquanto andava, Deus começava a me revelar detalhes do ministério que tinha pra mim, daquilo que Ele havia sonhado para minha vida. Lentamente o Ministério de Artes foi colocado a um canto.

Muito fora o tempo perdido olhando apenas para uma face da história, e era preciso correr atrás do tempo perdido. Comecei a correr! Meu desejo era atender ao chamado do Senhor de uma forma plena. A busca pela presença Dele se intensificou! Eu queria conhecê-Lo mais, muito mais. Entretanto, ainda havia em mim algo que alimentava no coração: o pensamento de que estava colhendo no Ministério de Artes algo que eu não havia plantado. Isso permeou meus pensamentos durante bastante tempo.

O Ministério de Artes voltou à ativa, especificamente a parte do teatro. Já que no Projeto Vida Nova, o teatro e a dança, fazem parte de um mesmo departamento, ministério. Mas, eu ainda estava sentada vendo tudo acontecer sem estar envolvida e mais, sem estar inclinada a participar ativamente outra vez. Outras preocupações ocupavam minha mente! Era tempo de renúncia na minha vida e eu estava digerindo isso. Eu estava parando por amor a Deus, parando meus sonhos por escolher a boa parte.

Começamos a ensaiar a fim de apresentarmos no culto das mulheres, uma peça que o Senhor havia me dado em junho de 2008. Ensaiamos, nos dedicamos, mas não era tempo. Deus não queria que apresentássemos nada naquela época! Eu ainda precisava entender algumas coisas. Existiam questões que o Pai queria tratar comigo especialmente. Estava desanimada, notavelmente desanimada. Continuava me entregando, me dedicando prontamente se me chamassem, mas meu coração estava cansado. Meu cansaço estava totalmente atrelado a noção que tinha de estar colhendo algo que não havia semeado. Todas as vezes que pensava na minha situação dentro do ministério não conseguia vê-la de uma forma distinta dessa. Como eu estava enganada! Completamente iludida, posso assim dizer.

Começam os ensaios da Cantata de Natal. Eu estava no elenco! Fiquei muito feliz quando li a peça! Era linda, divertida e a palavra do Senhor era bem clara e presente. Minha personagem era uma criança, uma criança que pregava para sua família durante toda a encenação. Como isso tocou meu coração! Lentamente meu ânimo foi renovado, mas ainda estava enganada sobre a ação de Deus na minha vida dentro do Ministério de Artes.

25 de Dezembro de 2009. Enquanto orava, o Senhor me levou a meditar sobre o momento em que 3 profetas específicos foram chamados: Jeremias, Ezequiel e Isaías. Deus falou profundamente comigo sobre questões muito importantes pra mim, mas a última parte da meditação foi como um clarão na minha mente! Meu muro de justificativas caindo por terra, diante da palavra revelada do Senhor.

“No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo.” Isaías só viu o Senhor no ano em que o rei morreu! Algo precisou ser perdido, algo que era importante de alguma forma, precisou ser perdido para que ele visse o Senhor. Eu coloquei o ministério de artes num lugar indevido na minha vida. E enquanto ele existia de forma muito vívida, eu não via nada além daquela limitação a qual eu mesma me propus. E mais só consegui entender isso quase dois anos depois. Sim, eu havia semeado! Havia lançado sementes sorrateiramente, e ali estava a minha colheita! Mas o mesmo Deus que me revelava isso, no dia que comemoramos o Natal, me dizia: Eu sou o Deus que restituo!

Não estou preparada! Vivo o tempo da preparação! Sei que Ele está forjando em mim suas especificidades! Mas mesmo assim, Ele escolheu me restituir. Ainda que eu tivesse, através da minha atitude infantil, feito um mau julgamento de Sua pessoa. Ele estava vendo meu coração totalmente estraçalhado diante do poder Dele, do seu amor sobre mim!

27 de Dezembro de 2009. Das coxias não consegui conter minhas lágrimas! A palavra Dele havia se cumprido. Enquanto trocava de roupa me abandonava por segundos nos seus braços, tomada por um choro copioso. Gratidão era tudo que havia no meu coração! Uma profunda gratidão! Entrei no culto e o apelo já tinha sido feito. Diante do altar vejo muitas pessoas inclinadas diante do Senhor! Não me contenho outra vez e sinto o Espírito ministrando no meu coração: Eis… a restituição!

(Cantata de Natal 2009 – O Melhor Presente)

“Pode mudar o que preciso for, pode mexer no que tiver que ser, hoje eu decido estar completamente em Tua mãos! O grito de minha alma agora eu dou: Curado e liberto em nome de Jesus eu sou! A decisão em mim é radical, vou me lançar no sobrenatural, eu quero a revolução do Teu poder em mim Senhor…”

Deus é surpreendente! Sempre afirmo isso, porque é uma realidade. Ele sempre vai além das minhas expectativas! Não consigo contabilizar tudo que Ele tem feito na minha vida nos últimos meses, dias, horas! As lutas não cessaram, as adversidades continuam existindo e frustrações também. Mas tenho vivido a alegria do Senhor, que sustenta quando não somos mais capazes de andar! Ainda que lágrimas caiam dos meus olhos, o sorriso não desaparece porque a certeza de que os braços Dele me enlaçam é muito maior do que qualquer sofrimento!

Tenho vivido o Novo de Deus! Depois de muito tempo, muito tempo mesmo, remoendo o velho na minha vida, decidi aceitar e receber o novo que Ele tinha pra mim! Após anos e anos vivendo uma relação fria com Deus, vejo o contraste berrante da minha vida atual! Escolhi mergulhar e não quero mais voltar à superfície.

Em meados de junho de 2008, esse recomeço iniciou na minha vida! Costumo dizer que foi esse o divisor de águas, o marco! O Retiro das mulheres foi lugar de tratamento pra mim! Áreas nunca tocadas, feridas escondidas, traumas, tiveram sobre si o Bálsamo. A cura se estabeleceu! Posso afirmar que ali uma verdadeira libertação ocorreu em mim! Deus lavou, esfregou, ungiu… Foi lindo de mais! As lembranças mexem comigo, porque vi ali, de uma forma muito literal, o cuidado de Deus comigo.

Dezembro de 2009, acampamento da juventude. O AJIVIN sempre ocorreu e nunca me senti impulsionada a ir e muito menos direcionada. Entretanto, sempre estive muito ligada a minha razão e paradigmas me impediam de optar por ir. Nesse ano em especial, pedi direção a Deus, porque tenho buscado isso: viver no centro da vontade Dele em qualquer situação. Difícil escolha, confesso! Aprender não implica em acertar com freqüência, implica em tentativas e muita dedicação. Pois bem, o Espírito ministrou em meu coração que eu deveria estar lá, era necessário, Ele queria fazer algumas coisas na minha vida naquele lugar.

Foi quando comecei a pensar no lugar. O acampamento ocorreria no sítio da Igreja Maranata, mesmo local em que ocorrera em 2008 o Retiro das Mulheres! Fiquei taquicárdica! Sabia que Deus ia fazer grandes coisas! E o que o Espírito Santo ministrava em mim era: lembra de como você chegou lá? Lembra do que eu fiz? Consegue ver como você está agora? Descontrolei-me! Não conseguia dimensioná-Lo… É muito maior do que o meu entendimento!!

O momento que estava vivendo pouco antes de ir p acampamento estava sendo marcado pela afirmação de Deus em relação ao meu ministério. Ele tinha me revelado que eu estava vivendo o tempo da preparação! Profetas haviam se levantado e dito detalhes sobre meu chamado e Deus os respaldava na Sua Palavra. Também acabara de ler o livro A cabana (que por sinal merece uma postagem a parte) e iniciara Cristo nos resgata de toda maldição da Neuza Itioka. Enfim, eram dias marcados por visões, sonhos e revelações.

Pouco antes de irmos para o sítio, em conversa com uma amiga ministra de dança, senti o Espírito me direcionar e disse a ela que essa deveria levar a roupa de ministração. Depois de me chamar de louca e etc. ela resolveu seguir a instrução. Acredite: Eu achei que estava ficando maluca mesmo, pensei estar ouvindo minha consciência! A equipe da juventude nada informou sobre danças, e dentre as ministras, só uma decidira ir ao AJIVIN: essa minha amiga.

A chegada foi tranqüila, mas a primeira ministração não! O primeiro impacto que recebi foi saber que estava escondendo de mim mesma e de Deus algo que deveria renunciar; pois não reconhecia que aquilo ainda preenchia meu coração. Foi muito doloroso, entender que teimava me prender ao velho e colocava-o como modelo para o novo que Deus queria derramar sobre minha vida em uma área tão especial! Meditei muito sobre isso! Tentei achar as peças e quanto mais mergulhava em minhas lembranças, com mais facilidade o quebra-cabeça se formava. Entendi que precisava tomar uma atitude! Respirei fundo e continuei a jornada: era só o primeiro culto, ainda havia muito a ser falado.

A segunda pregação me deixou em cacos! Pastora Deusdete, mulher de Deus, ousada e muito usada por Deus ministrou sobre libertação e cura, seu tema era: libertos para viver os sonhos de Deus. A ênfase era quebra de maldições. Todas as áreas foram abordadas, todas. Muitas lágrimas, gritos, gemidos profundos: uma grande lavagem aconteceu naquele lugar. Ao expormos nossas dores e mágoas, nos tornávamos limpos e livres, verdadeiramente curados.  Posso afirmar que nesse culto o Senhor trabalhou detalhes muito específicos na minha vida, principalmente no nível de relacionamentos em âmbito familiar. Ao fim dele, estava cansada, mas sentia uma alegria única: eu havia exteriorizado algo tão particular e oculto, que não imaginava que me corroia tanto… O Senhor estava aparando mais uma aresta.

Vazios de mazelas, de marcas do passado, era necessário nos enchermos do Senhor, da alegria Dele, do Novo que só Ele tem. O próximo culto foi iniciado com um grande mover do Pai: Um derramar delicioso da Sua glória. Depois fomos ministrados sobre questões peculiares concernentes a relacionamentos. Algo dito confrontou minha alma: espírito de solidão, interligando-o a pessoas que se acostumaram a estar só e adquiriram para si um chamado de celibato que não lhes foi conferido; não se envolvem por medo do novo, por estarem ariscas e inseguras. Fomos ungidos e mais fortalezas quebraram-se diante de nós. Contudo, tive uma experiência muito especial no final do culto! A presença do Senhor era muito intensa no meio de nós e comecei a ouvir ao fundo um som de tambores, era som de guerra! E o Espírito Santo me dizia: Pisa!!! Pisa naquilo que te machucou, nas feridas que ficaram para trás, pisa no seu passado! Pisa!! Bom… Nesse exato momento, ouvi o pastor Tony dizendo…não considereis as coisas antigas… ME DESCONTROLEI MESMO!!! Pulei de uma forma louca, estraçalhando o que me impedia de viver o novo de Deus!

Saí do templo em êxtase! Apaixonada! Totalmente apaixonada pelo Pai! Ao mesmo passo, que tentava ruminar tudo que vivia, me arrumava para festa que seria a seguir. Sim, haveria uma festa, e eu já sentia no meu Espírito que seria profética. Vesti-me de nordestina e não foi surpresa minha, quando o ato profético foi realizado. Mais uma vez meu chamado foi confirmado; não existiam mais espaços para dúvidas quanto a essa questão. Entretanto, algo lindo aconteceu em meio a tudo isso: o respaldo do Senhor! Minha amiga ministra de dança viera me dizer que o pastor da juventude sentiu, durante a festa, em seu coração, de fazer um ato profético com a bandeira do Brasil através da dança! E mais, ela dançaria a música que não saia da minha cabeça e que, inclusive, havíamos cantarolado-a no almoço em plena mesa! Ela ministraria ao som de Fogo Consumidor do Fernandinho! Um temor muito grande veio sobre mim e lembrei-me de uma frase: A Tua unção me respalda! Minhas pernas ainda bambeavam quando me encaminhei a mais uma noite de sono.

Dia seguinte. Não imaginava o que mais Deus faria. Eu ainda estava tentando digerir tudo que acabara de acontecer! Acordei bem cedo e decidi ir ao templo. Algumas pessoas já se encontravam lá. Li a bíblia e uma música doce começou a ser tocada. Minha vontade era permanecer ali, mas ouvi o Espírito me dizendo que queria que eu fosse andar. Pensei: Estou louca mesmo! Mesmo assim, fui caminhando por aquele lugar lindo! Achei um banquinho no meio do mato e sentei-me. Uma oração espontânea brotou da minha boca: eram palavras que denotavam gratidão, muita gratidão e mais: a decisão de me entregar muito mais! Foi quando ouvi Sua voz me dizendo que queria tratar muitas outras questões comigo, mas que naquele dia específico Ele iria confirmar, confirmar o que já havia sido dito a mim!

Voltei ao templo e a ministração a seguir teve o seguinte tema: preparados para viver os sonhos de Deus. Sim, foi falado sobre o tempo de preparação! Tudo que estava vivendo, que Deus ministrara a mim nos últimos meses, pastora Verena reproduzia com sua boca. Não conseguia mais me conter! Entendi que Ele realmente estava confirmando e meu coração acelerava só ao pensar no que estaria por vim.

Um grande mover do Senhor veio sobre nós, muito grande mesmo! Mais estava por vir! A próxima preletora agendada seria a Pastora Ludmila Ferber. Entretanto, ela não pôde estar por conta de problemas com o vôo. Nenhum de nós se sentiu frustrado. Estávamos tão embriagados com tudo que estávamos vivendo que isso foi um detalhe. E eu entendi que era isso que Deus queria fazer. Por conta disso, algumas pessoas da liderança, foram presenteadas com palavras reveladas do coração do Pai.

Minha escolha foi fechar os olhos e escutar. A primeira palavra estava relacionada à ministração de unção de cura, mais uma confirmação de Deus; sentia que meu coração não suportaria! Fui ministrada e liberada sobre mim a unção específica… Deus estava testificando! Em seguida, já no meu lugar e com os olhos fechados outra vez, ouço uma voz orando em línguas e depois interpretando e dizendo: “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta. Então disse eu: Ah, Senhor DEUS! Eis que não sei falar; porque ainda sou um menino. Mas o SENHOR me disse: Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar, falarás.” Quase morri! Era a palavra que Deus tinha me dado quando me chamou! Eu tentava permanecer com olhos fechados, mas era muito grande a presença de Deus.

Outra voz se apresentava do púlpito, e ele falava sobre o profeta Eliseu, sobre as atitudes do profeta! Mais uma confirmação! Logo depois, ouvimos sobre o milagre do quarto dia! Três dias apontam para ressurreição, mas o quarto dia apontava para o novo de Deus, para a restauração, restituição! Bom, minhas lágrimas não cessavam de jeito algum. Deus falava comigo! Ele cumpre tudo que diz… e para afirmar isso contemplei em seguida minha amiga dançando profeticamente,  Fogo Consumidor do Fernandinho, vestida com a bandeira do Brasil e segurando, ministrando com a bandeira de Israel! Pois é, era mais uma confirmação!

Ao final, fomos ungidos! Lembro-me de algo que a pastora Deusdete disse quando começou a pregar no sábado: “Eu não estou pregando para jovens, estou falando para ministros!” A unção que estávamos recebendo não era nossa! Era algo que seria levado para o lugar que o Senhor direcionasse! Após receber a unção caminhei para o lugar mais reservado possível do templo, a parte final! Ajoelhei-me entre os últimos bancos e ali me lancei nos braços do Pai. E em meio a gemidos, a tudo que balbuciava, eu entendi o meu chamado de uma forma tão específica… nunca o vira de maneira tão peculiar! Chorei copiosamente por saber que era mais uma confirmação, só que dessa vez de algo que fingi não ver e mais, por não me achar digna! Por saber que não era por mérito meu, mas pela Sua Graça!! Por reconhecer principalmente não ser nada sem Ele!

O dia 12 de dezembro não marcou o fim de experiências minhas com o Senhor! Foi o marco de uma dimensão mais profunda! Ele está aparando arestas! E sei que muitas existem! Decidi me entregar! Como uma mulher que perante o momento de entrega de ofertas, contempla grandes ofertas, grandes valores e entende o que mais valoroso seu precisa ser entregue! Sem pestanejar ela sei deita sobre a mesa de ofertas e dá sua própria vida a Ele! Eu escolhi entregar minha vida! Escolhi deitar-me na mesa ainda que me achem louca, ainda que me condenem! Diante de tudo que Ele é pra mim… minha vida é o que de mais valor posso dar!

Mais uma comemoração de Natal. Mais um ano em que as pessoas se reúnem em suas casas e tentam estabelecer vínculos que foram perdidos. Outra repetição em que famílias sustentam aparências, e de mesma forma corações despedaçados, machucados. Levanta-se a bandeira do espírito natalino, através de presentes, de caridades e abraços efusivos: apenas uma construção bem-feita de sentimentos permitidos para a época do ano.

O verdadeiro sentido do Natal jogado a um canto, enquanto uma figura caricata como Papai Noel domina tradições em todo o mundo e pensamentos de milhares de crianças. Mais uma deturpação, em meio a tantas outras. Jesus, quem é Jesus? Ouvimos da boca de uma criança.

Não me canso de dizer, não me canso de gritar: Ele é o nosso Redentor e vive para sempre. Acordemos para a verdade: O Natal é sim, uma data comercial; mas foi acordada para comemorarmos o nascimento de Cristo: o nascimento do Messias, que veio ao mundo para nos libertar dos nossos pecados. Aquele previsto pelo profeta Isaías em todo seu livro no velho testamento.

E não há como não associarmos Seu nascimento à Sua morte e ressurreição. Como não lembrar de seus milagres? Com não recordarmos Sua morte na cruz? E mais: como não voltarmos nossos olhos para Seu sangue derramado pra remissão dos nossos pecados? Entendamos também: Ele não está morto!! Vive no meio de nós. Somos morada do Espírito Santo. Eis aí outra motivação para rendermos a Ele corações gratos no dia de hoje: temos o Consolador!

O Melhor Presente já nos foi dado! Vivamos como quem não precisa de nada mais, porque o Tudo habita em nós. Deixemos de olhar para nós, e viver para nós; olhemos para Ele, vivamos para o Pai! Comemoremos esse dia abrindo os nossos corações para desfrutar da plenitude do Melhor Presente! Vivamos para Ele integralmente, sem condições, amando como Ele ama!

“Eu vou abrir o meu coração
Eu vou deixar meu Noivo entrar

Vou ceiar com Ele
Ao Seu amor
Vou me entregar

Entrei no Meu jardim
Colhi os Meus perfumes
Para te dar ó noiva minha

Os Teus perfumes são suaves
O Teu amor melhor do que o vinho..”

FELIZ NATAL A TODOS…

“Não te alegres por mim minha inimiga: mesmo que eu caia, eu me levantarei; mesmo que eu esteja em trevas, o Senhor será luz para mim.” (Miquéias 7:8)

Desorganização. Tudo fora do lugar. Bagunça. O famoso dito: está bagunçado, mas o que precisar, consigo achar. Como gostamos de nos iludir! Quem convive bem num ambiente sem ordem? O mais interessante é termos a consciência disso e ensaiarmos inúmeras atitudes para mudar essa realidade. Colocar em ordem dá trabalho, demanda tempo e esforço. Melhor continuar assim do que perder tempo! É o pensamento mais comum.  Não percebemos que quanto mais caminhamos, mais desorganizados nos tornamos. O que era apenas um nó à nossa frente, torna-se um grande emaranhado. A projeção para uma situação assim não é animadora, ao contrário, assusta mesmo.

Há alguns meses atrás, despertei para o estado precário de uma área específica da minha vida. Embora muito usual, podia observar uma grande confusão. Inversão de questões, desmerecimento de valores e omissão eram bem presentes na minha vida profissional. Sei que fui presenteada por Deus com relação a essa área; também sei que minha profissão faz parte do tempo de preparação que estou vivendo; mas meus pés estavam cansados de caminhar naquela bagunça.

Desafios inacabados, outros por vir que não causavam em mim, estímulo algum. Traçando uma linha contínua na minha história acadêmica, percebi que raros foram os momentos de tranqüilidade e principalmente de certeza com relação aquilo que estava vivendo. Em 70% do tempo que passei na graduação queria estar em outro lugar que não fosse onde estava. Queria viver uma vida distinta da que vivia. Bastante rebeldia havia dentro de mim. Não conseguia desfrutar com plenitude daquilo que Deus me dera, porque queria que minhas vontades fossem feitas.

Comportava-me como uma criança mimada que teima querer aquilo que não pode. No meu consciente meus desejos deveriam ser realizados, mas em nenhum momento atentei para aquilo que precisava. A conseqüência desses pensamentos foi o cansaço, o desânimo, a falta de vontade de prosseguir, de lutar para concluir o presente que Ele colocara em minhas mãos.

Desestimulada, não conseguia colocar nada em ordem. Entendia a necessidade, mas não era capaz de consumir o ato em si. Os desafios cresciam e a responsabilidade também. Eu me via evoluindo medíocre no lugar que Deus tinha me colocado. Mas sabia que não tinha chamada para ser medíocre! Deus tinha para mim excelência! Entretanto, estava desgastada demais para lutar por isso.

O temor em meu coração era grande. Não queria desfazer do que Ele me deu; piorar a situação. Essa se tornou uma área muita delicada da minha vida. E resolvi lançá-la também diante do Pai. Era preciso recomeçar, eu sabia disso, contudo entendia que sozinha não era capaz de nada. Sentia-me fraca, muito fraca. Entretanto, o poder dele se aperfeiçoa na minha fraqueza.

Apoiada em Seus ombros entendi que precisava me organizar. E só depois de colocar tudo em ordem, buscar disciplina. Lutei dias com essa palavra. Dias mesmo. Organizar implicava em gastar tempo e não havia como fazer isso mais. Duelei com minha razão até ouvir inúmeras confirmações da parte Dele e entender que a vontade de Deus era boa, perfeita e agradável. Era preciso fechar brechas de legalidade, e essa era uma fenda bem notável. Convicta do que precisava ser feito, não me importei com o que estava a minha volta.

Uma palavra revelada marcou profundamente meu coração em uma madrugada: Deus quer fazer milagres na minha bagunça! Saber disso trouxe refrigério à minha alma. Ele não havia desistido de mim. Por isso, incessantes vezes, tentava me alertar da minha conduta. Muitos foram os sinais que fingi não ver: a desordem constituía impedimento para o fluir de Deus. Mas Ele mesmo assim queria fazer milagres na minha bagunça. Vivi muitos milagres na minha vida acadêmica, onde a mão do Senhor era quase palpável.  Todavia, Ele possuía mais, muito mais pra mim.

Entendi que o maior milagre que Ele queria fazer era limpar a bagunça e dar-me tudo o que tinha sonhado pra mim. Compreendi que quanto mais dura era minha cerviz, de mesma proporção era o tempo de espera pelas promessas Dele nessa área da minha vida. Ele não tinha se arrependido de nenhuma das suas palavras, eu é que tinha adiado o cumprimento de todas elas! Agora estava disposta a reconstruir! O recomeço assusta, mas Ele estava me respaldando.

“Regozija-te ó filha de Sião; Rejubila, ó Israel, exulta de todo coração, ó filha de Jerusalém! O Senhor retirou teu castigo, e afastou teu inimigo; o Senhor, rei de Israel, está no meio de ti, tu não temerás mal algum. Naquele dia se dirá a Jerusalém: não temas, ó Sião, e tuas mãos nãos e enfraqueçam! O Senhor teu Deus está no meio de ti, poderoso que te salvará; ele se deleitará em ti com alegria e renovar-te-á em seu amor, alegrar-se-á em ti com cântico.” (Sofonias 3:14-17)

A obediência não está sujeita ao entendimento. O amor nos leva a obedecer. Essa definição está fincada no meu coração. Escolhi atender a vontade do Senhor na minha vida, estar respaldada por um direcionamento Dele; entretanto as lutas tomaram maiores proporções. Observo-me caminhar debaixo da mão Pai, mas da mesma maneira, posso contemplar tudo ao meu redor desmoronando.

A palavra diz “aquilo que o homem semear, isso ele ceifará”. Nem sempre atentamos a toda e qualquer escolha feita. Desmerecemos detalhes e fazemos pouco daquilo que não nos apetece; logo, decidimos de forma imediata, e impulsiva. O resultado é lógico: Colheitas malditas. Muitas das lutas que vivencio hoje são produtos de atitudes corriqueiras, irresponsáveis. Não busquei a direção de Deus, ainda que fosse naquilo que era acessório a minha vida, no que parecia sem significado ou funcionalidade.

Envolvemo-nos em teias, situações constrangedoras por falta de sabedoria. Não somos sábios por nós mesmos, a fonte da sabedoria é o Pai, somente Ele. Se não há entrelaçamento da vontade Dele a nossa, ficamos sujeitos a nós mesmos, e nós, em nossa limitação, não sabemos o que é melhor à nossa vida; somos confusos, inconstantes. Só a Graça sobre nós para nos sustentar.

Pois bem, estou em meio a uma teia que não arquitetei, nem mesmo pensei sobre a possibilidade de fazer parte dessa. Quando abri os olhos, estava eu inserida, sem entender a lógica disso. Muitos sentimentos vieram ao meu coração: revolta, injustiça, e principalmente autocomiseração. Sentia-me a vítima, o réu inocente que acabara de ser considerado culpado. Até que a voz Dele me confrontou. Meu coração desmanchou-se, pois sei que Ele confronta e disciplina, aqueles a quem ama.

A situação num todo era fruto de minhas atitudes. Decisões irresponsáveis! Agi com a lógica de homens, ao invés de decidir pela voz do Espírito Santo. Entendi, me arrependi; mas uma pergunta permaneceu na minha mente: Por que eu havia feito isso? Não queria me auto-justificar, só desejava saber a raiz do problema e, assim, começar a arrancá-la de dentro de mim.

Quando erramos, e reconhecemos, nos arrependemos; e buscamos mudança em nós. Mas como mudar algo que não conhecemos? Tudo o que acontece em nossas vidas, atitudes, nossa postura e pensamentos são apenas frutos. Onde estariam as raízes? O motivo que nos levou ao erro? É sempre esse detalhe que tentamos esconder de Deus e principalmente de nós mesmos. Vestimos uma capa de super-heróis da fé, como se não fossemos humanos e suscetíveis a erros. Pecamos, nos arrependemos, e queremos seguir vivendo, sem entender e admitir que algo precisa ser tratado em nós.

Agimos como seres que não podem reconhecer suas fraquezas, inseguranças. Como se o Pai, não buscasse em nós um coração sincero. Como se Ele quisesse em nós um bom embrulho, mas um presente em frangalhos. Se não curamos a fonte de nossos problemas, a cada erro, pecado, seremos mais machucados pelas acusações de Satanás. E acredite, o pecado continuará existindo. A raiz ainda estará lá estimulando erros com mais freqüência. Uma vivência marcada por esse ciclo cruel não é o sonho de Deus para nós e nunca foi.

Diante do altar, inclinada em seus braços entendi a natureza das minhas atitudes. Eu entregara muitas coisas a Deus, mas ainda queria controlar algumas outras. Durante toda minha vida sempre fui assim. Gostava de estar à frente de questões, de tomar o controle das situações que me eram colocadas. E na minha vida isso era muito mais eminente. Porque querer ter o controle? Por não saber confiar…

A proporção da dimensão do meu envolvimento na teia, só alcançou o nível atual, devido a minha falta de confiança. Eu tive escolha. E lembro-me ter sido um momento quase ingênuo, mas hoje entendo que era crucial. A pergunta era simples: Você confia ou não confia? E o mais triste hoje, é reconhecer que minha resposta desagradou o coração de Deus.

O colo Dele é lugar de confissão, mas também é lugar de perdão e de restauração. Ele está me tratando e me ensinando a expressão “descansar em Deus”. Quanto ás colheitas malditas, Ele é Aquele que transforma maldição em bênção. Como fez com Abraão que mentiu para se auto-preservar e quase perdeu sua mulher; Ele em seu profundo amor, transformou a sentença lançada sobre Abraão. O Pai estava o ensinando a confiar. Somente confiar.

A cena. A corda. Olho o desenho do espetáculo e descubro-me a par. Repito a ação. Catatônica permaneço. Nenhum viés de emoção se apresenta em mim. A alguns pareço anímica. A outros, aprisionada. Mas, nada além de amedrontada. Tempo gasto; insistentes tentativas e ao final percebo-me incapaz, inalterada. Como caminhar se meus olhos me confundem? Mostram-me um espaço maior do que tenho para explorar.

Ação penso. Não há resposta aos estímulos. Ouço murmúrios, platéia impaciente. Esboço em meus pensamentos coragem; mas a covardia só alimenta minha inexistência. Corro a mim afim de refúgio; escondo-me, desconheço-me. Vozes. Sinto-as fortes e penetrantes. Mas não distingo nenhuma dialética; preferi o silêncio distorcido a certeza da minha insensatez.

Meus olhos continuam fixos à corda. Dúvidas e mais dúvidas me povoam. Não defino a minha frente esperança, engano é tudo que vejo. Alucino. Engano-me. Fixo firme meus pés; colo-os ao ponto de partida. Empurrões, socavões. Imóvel. Impassível. Evoluir gastaria fios vitais do meu renascimento. Decidi mantê-los a romper os elos que construí. Desafios implicam em respostas para uma mesma pergunta, opto por ignorar indagações desse gênero. Os ruídos intensificam-se. Desisto enfim.

Contemplo outro corpo. Equilibrado, toma a minha frente e inicia o show diante de mim. Passos cuidadosos, suaves, seguros. Acrobático dança, prossegue, encanta. A corda interage, acompanha, favorece. Um grito chega a minha garganta. Amarro-o a minha humilhação e exteriorizo soluços diminutos. Penso recuar, sinto recuar, recuo. Controlo-me outra vez. Não há mais medo. Desprezo, remorso e conformação presenteiam-me. O corpo exerce leve o papel de voar sobre si. Sensibiliza, cativa. Enigmática observo-me valsando estática defronte ao show. Reflito-me no outro. Ele aceitou o meu desafio, a pergunta que optei por ignorar; foi estímulo para que buscasse respostas.

Finda o show. Grande é a manifestação da platéia. Meus olhos abraçam lágrimas contidas. Desço as escadas e permaneço, só, abaixo à corda. Movimentação brusca, moderada, leve. Espaço vazio. Certifico-me da real solidão. Evoluo outra vez os degraus. Reconheço a imagem gravada. Caminho. À ponta fico da corda bamba. Encaro-a. Levanto meus olhos, triunfante. Encanto-me. Acima, um trapézio; sigo-o dançando sobre o fio. Lanço-me ao chão sorrindo. Flutuo. A rede de segurança me impulsiona. Brinco no ar com a imagem do aparelho. Eis meu próximo passo.

Ouso dispensar o passado. A experiência alimenta meu desejo de viver. Não revivo. Recrio. Percuto. Desfaço. Aprimoro-me. Dos fracassos seleciono impulsos favoráveis. Exerço a arte da espera ensaiando novos movimentos; permito-me desenhar sem pré-conceber estereótipos; discorro sonhos ao invés de construir cercas de julgamentos e incertezas. Num rompante livro-me; liberto-me.

O trapézio encara-me. O recomeço sem fivelas. Desprendida de mim, percebo-me notavelmente leve. Olho o aparelho outra vez, não contenho a gargalhada. Sorrio intensamente. Com o olhar fixo no trapézio, a corda bamba desapareceu. Eis o destino da motivação do meu medo. Ignorado, transpassado, vencido.

Reconheço

Transgrido-me enfim

Renasço

Assalto-me

Nego-me

Revivo no que cri

Ouça

Passos transformados

Soluços erradicados

Atente

Mãos levantadas

Limpas, seguras

Sustentadas

Prove

Nova doce vida

A beleza da verdade dita

Pinceladas leves

Grande artista

expande

Contornos firmes

Grande artista

exprime

Com o apagar de suas mãos

Grande artista

Ama

Eis a nova tela

Espanto

Foi-se o pavor

Findam-se

Cinzas e distorções

Satisfação

Marejam seus olhos

Grande Artista?

Revira-se a tela

Grande borrão

Vermelho por todos os lados

Derramado, impregnado

Grande Artista sorri

Acena sereno

Mãos marcadas

crucificação

Resplandece sua face

Recomeço

Esperança única

Grande Artista Jesus

Sonhos. Quem não os tem? Planos, metas, maquetes mentais. Rabiscos que tornam-se rascunhos cuidadosos. Durante significativo tempo da minha existência, meus pensamentos pousavam insistentes em meu futuro. Adeqüei projetos a necessidades latentes. Meus olhos, sempre fitos em mim mesma, me direcionavam a um caminho bem quisto pela sociedade, mas não havia preenchimento dentro de mim. Iniciei a construção meticulosa dos castelos que desenhei e encontrei-me longe de mim.

Contemplar a projeção do que meticulosamente construía, fez-me perceber tão distante daquela realidade. Interessante não haver mudanças em meus desejos nesse meio tempo; mais instigante ainda era saber que continuava a mesma, sem distorções de personalidade, ou de caráter. Entretanto, algo especial acontecera: eu havia despertado!

Em abril de 2004 minha história foi marcada! Eu encontrei o que buscava errante em caminhos deturpantes. O amor que conheci excedia toda e qualquer razão. E isso não importava e não importa! É um sentimento tão genuíno, que transcende toda tentativa de entendimento do ser humano. Saber que Jesus morreu por amor a mim; teve seu corpo marcado por minhas chagas e depois ressuscitou para que eu não fosse mais enxergada por um jugo de pecado, mas por Seu sangue que foi derramado por mim!!! Isso é lindo demais e precioso para permanecer despercebido na minha vida. É a beleza da graça sobre nossas vidas: um dom imerecido, concedido por Ele.

Desde meados desse ano de 2004 eu já conhecia o meu chamado, ou seja, aquilo para o qual fora vocacionada: a minha missão. Eu sabia que precisava ir e pregar o evangelho a toda criatura… Meu chamado era missionário. Todavia, minhas preocupações, meus objetivos recuaram a vontade de Deus para um lugar secundário no meu coração.

Caminhei, durante um bom tempo, submersa em mim mesma. Sempre idealizava meus sonhos se realizando e, depois, eu indo de encontro à realização dos sonhos de Deus. Ignorei a palavra renúncia no meu dicionário. Meus olhos haviam se perdido do Alvo, estavam fixos nas circunstâncias. Meus anseios eram mais importantes… e o mundo continuava rodando ao redor de mim mesma. Ou seja, eu havia encontrado o Verdadeiro amor, mas não o havia entendido; Sim, ao invés de me lançar nos braços do Pai, decidi me manter atada às minhas conveniências, e desfrutar superficialmente daquilo que realmente era importante para mim.

Meses, dias, horas. Não havia satisfação! Descobri-me vivendo uma vida mesquinha. Arregaçando as mangas num trabalho dolorosamente forçado para corresponder aquilo que os outros desejavam de mim e que durante muito tempo acreditei que fosse adequado. Minha imaginação baseada no meu egoísmo levou-me a caminhos tortuosos. A imaginação sem a sabedoria de Deus é uma arma cruel e letal. Eu estava longe de Deus e muito perto do meu ego, dos meus achismos, dos pré-conceitos formados. Andava calcada em minhas forças, porque acreditava que controlava todas as coisas. Não havia entendido o principio da dependência, não tinha principalmente vivido a entrega. O medo me impedia de recomeçar.

Quando somos feridos, nos tornamos ariscos, alertas de mais, defensivos. Eu não podia me entregar porque a lesão que havia em mim não permitia que eu confiasse em ninguém, a não ser em mim mesma. Por isso estava perdida. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”. Se nem ao menos me conhecia, como podia depositar toda confiança em mim? Pois bem, como decorrência dessa postura, muitos sofrimentos me sobrevieram: decepções, frustrações, mais feridas. Agora, era um enxame de lesões mal curadas, infeccionadas.

Contudo, Ele tinha o Bálsamo. Ele tinha a cura. Decidi jogar-me em seus braços e deixar-me ser ninada pelo Pai. A cura veio, mas a dor também. Era preciso tocar nas lesões, limpá-las para que houvesse restabelecimento. Gritos, gemidos, dores profundas. Sobrevivi, porque a mão Dele estava segurando a minha enquanto a cura se estabelecia. Ele nunca me abandonou.

Havia chegado o momento da decisão: continuar vivendo com migalhas que caiam do chão, ou desfrutar do banquete que Ele preparara pra mim? Não decidi. Joguei-me desesperadamente em seus braços! Não me importava os outros! Não estava preocupada com as convenções humanas! Eu queria sentir o coração Dele, ficar constantemente apoiada em seu ombro e descansar. Agora eu confiava! O Amor tão impactante, não era só uma linda história, mas agora tocava profundamente meu coração. Não era uma utopia, nem uma movimentação emocional… Era o amor de Deus.

Vivi em um ano experiências que não havia vivido em 4 anos. Mas, os meus planos ainda permaneciam. Meus sonhos ainda eram cuidadosamente alimentados, embora soubesse que não havia mais espaço; eles constituíam uma demarcação de limites em minha vida e imprimiam um formato a ação do Senhor. E Deus não é nada limitado. Foi então que conheci a arte de renunciar.

O Senhor permitiu que eu contemplasse uma projeção dos meus sonhos. Foi o momento mais difícil: ver aquilo que idealizei e entender que não era o melhor pra mim. Lutei incessante com Deus durante dias. Até que cansada de não obter respostas que queria ouvir; ampliei a minha mente para assimilar a vontade de DEle. Disponibilizei-me ao agir do Espírito Santo e entendi que a renúncia é uma arte produzida por Ele.

Só diante do altar pude expressar a confiança e renunciei ás minhas convicções. Estava entendendo o princípio da dependência, da verdadeira inclinação á vontade do Pai. Era a arte da entrega. Eu não via o Pai, só ouvia sua voz me chamando, me convidando a me lançar em seus braços. Mas quando abria meus olhos, só podia contemplar um poço fundo. Eu perguntava e Ele me respondia, me dizia para confiar apenas. Lancei-me. Senti frio o ar sobre meu corpo; mas ao final senti seu cheiro suave e sua mão me sustentar. Esse é o aroma suave da renúncia… o aroma do colo do Senhor.

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